Round 6 temporada 3: o final de Hwang Dong-hyuk merecia o barulho que fez?

A temporada final de Round 6 bateu recordes de audiência e dividiu a crítica do público. Resenho a aposta de fechar a saga de Gi-hun em seis episódios, sem entregar o desfecho.

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Round 6 temporada 3: o final de Hwang Dong-hyuk merecia o barulho que fez?
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Existe um número que resume o nó da temporada final de Round 6 (오징어 게임, Squid Game Season 3): a crítica deu 78% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas o público parou em torno de 51% no Popcornmeter. Esse descompasso é raro pra franquia, e ele é o ponto de partida desta resenha. A Netflix entregou os seis episódios de uma vez só em 27 de junho de 2025, todo mundo maratonou no mesmo fim de semana — e saiu de lá brigando. Como dorameira de carteirinha, eu queria entender se o barulho era sobre qualidade ou sobre expectativa frustrada. Spoiler do meu veredito: é um pouco dos dois.

A aposta de fechar a saga de Gi-hun em seis episódios

A primeira coisa que precisa ficar clara é o tamanho da aposta. Hwang Dong-hyuk acumulou os três chapéus mais pesados de uma produção — criador, roteirista e diretor de todos os episódios — e ainda escolheu fechar a história inteira de Seong Gi-hun em apenas seis capítulos. A temporada retoma exatamente de onde a segunda parou: depois da rebelião fracassada, Gi-hun volta à arena destroçado, enquanto o Líder (Hwang In-ho) e os VIPs conduzem os jogos até o desfecho. É curto e contínuo, estruturado em torno de três grandes provas em blocos de dois episódios cada.

Essa concisão é faca de dois gumes. Por um lado, dá densidade: não tem episódio de enchimento, cada cena empurra a engrenagem. Por outro, comprime arcos que mereciam respiro. A própria filmagem foi feita de uma vez só junto com a segunda temporada, num back-to-back que correu de julho de 2023 a junho de 2024 — Hwang já tinha falado publicamente sobre o desgaste físico de bancar a franquia sozinho. E dá pra sentir o cansaço de quem precisava amarrar tudo rápido.

A virada para action-thriller e o que se perde

O consenso da crítica positiva destacou um tom mais de action-thriller tradicional, com suspense bem montado e desenvolvimento dos personagens — e é verdade, a tensão dos jogos funciona. Mas é aqui que mora minha ressalva. A primeira temporada era uma fábula anticapitalista que doía porque a gente conhecia cada jogador. Quando a série acelera pro modo thriller de sobrevivência, ela ganha em adrenalina e perde aquele tempo de luto que fazia cada morte pesar. A crítica negativa foi direta: apontou um desfecho “frouxo, vazio e insatisfatório” e mortes de personagens mal cronometradas. Não concordo com tudo, mas o problema do timing é real.

A trilha de Jung Jae-il — o mesmo de Parasita — segura muito dessa atmosfera. Em vez de orquestra épica, ele apostou em “música tradicional com ruídos esquisitos” e nas cantigas infantis perturbadoras (“JUMP ROPE song”, “HIDE & SEEK song”) pra manter aquela identidade sonora da franquia. Sonoramente, a temporada nunca tropeça.

O descompasso crítica x público

Vamos aos números, porque eles contam uma história sozinhos:

  • Rotten Tomatoes: chegou a marcar 90% no início e estabilizou em 78% de aprovação da crítica (79 resenhas). No Metacritic, 67/100.
  • Público (Popcornmeter): em torno de 51% — muita gente reclamou do final e da própria existência do bebê na trama.
  • Audiência: 60,1 milhões de visualizações nos três primeiros dias, o maior lançamento de 3 dias da história da Netflix, e nº 1 simultâneo nos 93 países com Top 10.

Ou seja: o mundo inteiro assistiu, a crítica gostou, e boa parte do público saiu frustrada. Parte disso é a polêmica do bebê em CGI — a produção depois esclareceu que usou um boneco robótico com expressões e peso realistas por segurança, mas o estranhamento da cena do parto já tinha pegado. Outra parte é puramente sobre o desfecho, que comento atrás da cortina.

Atuação: Lee Jung-jae e Lee Byung-hun

Se tem algo que a temporada não erra, é elenco. Lee Jung-jae — o primeiro asiático a vencer o Emmy de Melhor Ator em série dramática, justamente por esse papel — entrega um Gi-hun esvaziado pela culpa, e é uma escolha corajosa: ele não é mais o azarão simpático, é um homem quebrado. Do outro lado, Lee Byung-hun dá ao Front Man um peso que só cresceu nesta reta final; o jogo de gato e rato entre os dois sustenta os melhores momentos dramáticos. Vale citar também Park Sung-hoon, que como Cho Hyun-ju (Jogadora 120) fugiu da caricatura de propósito, tratando o fato de a personagem ser trans como “apenas mais uma das suas qualidades”.

Veredito: um final que divide

Meu veredito de enciclopédia dorameira: Round 6 fechou de pé, mas não fechou em festa. É uma temporada tecnicamente afiada, com atuações impecáveis e uma tese moral coerente com tudo que veio antes — e, ao mesmo tempo, comprimida demais pra dar a catarse que dez anos de saga prometiam. Ela merecia o barulho da audiência (recorde é recorde), mas entendo perfeitamente quem saiu de lá com gosto de “era isso?”. O barulho da briga, esse sim, foi sobre algo legítimo. Abaixo, atrás da cortina, falo do desfecho de frente — só leia se já terminou.

Spoilers: mostre ou esconda todas as cortinas deste dorama — a gente lembra da sua escolha.
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